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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Shavuot-Festa das Semanas

Chag Shavuot Sameach! - Feliz Festa das Semanas!


twewbv
Shavuot
     Shavuot é a segunda das três maiores Festas da Peregrinação – Mylgr vwlvh (Pêssach é a primeira e Sukot a terceira), e vem exatamente cinqüenta dias após Pêssach. A Torá foi outorgada por D-us ao povo judeu no Monte Sinai há mais de três mil e trezentos anos. Todos os anos neste dia, renovamos nossa aceitação do presente de D-us. A palavra Shavuot significa "semanas": assinala a compleição das sete semanas entre Pêssach e Shavuot (o período do Ômer), durante o qual o povo judeu preparou-se para a Outorga da Torá. Durante este tempo, purificou-se das cicatrizes da escravidão e tornou-se uma nação sagrada, pronta a entrar em uma Aliança Eterna com D-us, com a Outorga da Torá. Shavuot também significa "juramentos". Com a Outorga da Torá, o povo judeu e D-us trocaram juramentos, formando um Pacto Duradouro de não abandonar um ao outro.

     Há três formas de se escrever Shavuot em Hebraico:
tebv =7
tewbv =4
twewbv =10
     Como no Hebraico não existe vogal, os sons vocálicos necessários para produzir a vocalização de Shavuot podem ser representados por qualquer destas três formas. É curioso notar que; as somas dos valores de cada letra que compõem cada uma destas formas de escrever Shavuot dão estes respectivos valores: 7, 4 e 10
      Estes números dão (de acordo com a Kabalá) um sentido mais profundo às Palavras Sagradas grafadas na Torá, de modo que sua Revelação - do significado dos Ditos da Torá – passa a ter uma “comprovação matemática” por assim dizer que leva o Talmid à plena certeza de que o Verdadeiro Sentido do Texto é realmente aquele e não outro.


     Pois bem; os filhos de Israel saíram do Egito, peregrinaram pelo Deserto e depois de certo tempo sua consciência de escravo já não estava mais lá, os filhos de Israel já se comportavam como pessoas livres em busca de um lugar para se estabelecer, porém, eram sem dúvida pessoas livres. 

      Se os observarmos desde a saída do Egito até o adquirir esta consciência de pessoas livres, veremos que eles passaram por um árduo processo, eles mudaram de consciência, logo mudaram de comportamento, já não pensavam mais como antes, concluíram o processo de libertação, kabalisticamente falando, esse “concluir do processo” é representado pelo número 7 (uma Obra Completa). Assim, após o Eterno, Bendito Seja o Seu Nome, tê-los libertado (seus corpos e suas mentes), Ele agora se prepara para educá-los com a Outorga da Torá que teve início com a Entrega dos Dez Mandamentos – 10. E só depois que eles – os filhos de Jacó – encarnaram os princípios dos 10 Mandamentos, foi que eles passaram (evoluíram) de pessoas errantes para a definição de nação, o Povo de Deus, tal “passagem” é representada pela Kabalá pelo número 4, que é o valor da letra Dalet cuja tradução é porta, e a “porta” é por definição a passagem que nos leva de um ambiente a outro.

      Portanto; somente quando os filhos de Israel adquiriram a consciência de pessoas livres = 7, é que estiveram prontos para a Outorga da Torá = 10, e só quando encarnaram esses princípios foi que passaram = 4 da definição de pessoas errantes para a real definição de Filhos de Israel; que a propósito:
larvy = 30+1+200+300+10=541=10
      Assim também procedeu o Eterno conosco (os Anussim), nos libertou da escravidão religiosa que nos foi imposta - 7, nos deu a Sagrada Torá de nossos pais – 10, e só depois de encarnar os seus princípios  - 4 (e não antes) é que seremos chamados verdadeiramente de Filhos de Israel.
     Certamente todos nós (os que cremos) conseguiremos B’Ezrat HaShem!
     Chag Shavuot Sameach!!!!!!!!!!

Yeshua -O Judeu

Yeshua MiNetzeret - O Judeu

     Nascido na Galileia há mais de 2 mil anos, Jesus de Nazaré foi, sem margem para dúvidas, um judeu. As escrituras cristãs confirmam a cada passo que Cristo – Yeshua ben Yosef, de seu nome hebraico – seguiu à risca as tradições e mandamentos do judaísmo ortodoxo. Mesmo assim, durante séculos, numa tácita aliança de silêncios, cristãos e judeus recusaram reconhecer as raízes judaicas do pregador da Galileia, a quem chamaram rabino, e que acabaria por tornar-se uma das mais influentes e emblemáticas figuras da História humana.

     Abandonado, e mesmo combatido, pela Igreja Cristã (tanto católica como protestante) durante séculos, o judaísmo de Jesus, e o seu enquadramento contextual, só começou a ser explorado recentemente.

     Esta corrente, nascida na recta final do século XIX, assumiu novas proporções nos finais do século XX, quando a busca do “Jesus Histórico” e das raízes hebraicas de Cristo começou a fascinar teólogos e historiadores cristãos e judeus. Arredados já do cíclico antisemitismo que levara os cristãos durante séculos a negarem o judaísmo de Jesus, estes redescobriam agora o Messias cristão no seu contexto histórico, étnico e religioso.

     O judaísmo de Jesus foi, até 1900, praticamente posto de parte também pelos pensadores judeus, em grande medida como reacção às perseguições que o cristianismo encetara contra os hebreus. Recorde-se que até ao Concílio Vaticano II, em 1965, a própria Igreja Católica acusava os judeus de terem morto Cristo – uma acusação que não só negava a verdade histórica, desculpabilizando o papel do governador romano Pôncio Pilatos enquanto executor máximos da pena (ver Who is Responsible for Jesus’ Execution), como também escondia o facto de Jesus ser, ele próprio, um judeu. Esse era um facto histórico inescapável, mas mesmo assim rodeado de uma polémica apenas explicável por um antisemitismo latente.
“Muitos cristãos continuavam a recusar aceitar o facto de que Jesus era judeu, afirmando a pés juntos que ele era ‘cristão’. Mas um cristão, por definição, é um seguidor de Cristo. Se assim fosse, Jesus seria um seguidor de si próprio, o equivalente de um cão que persegue a sua própria cauda”, comenta o teólogo cristão Jonathan Went, um estudioso das raízes judaicas de Jesus.

     Contando com as poucas referências talmúdicas, as fontes históricas judaicas sobre Jesus restringem-se a breves passagens de fragmentos deixados por historiadores hebreus, o mais famoso dos quais o Testimonium Flavianum, escrito por Flavius Josephus, que viveu entre os ano 37 e 100 da era comum.
Agora, quase dois mil anos passados sobre o seu desaparecimento, aos poucos, rabinos e pensadores humanistas judeus começaram a reclamar Jesus enquanto figura histórica intimamente ligada ao judaísmo.

     Na década de 90, foram editados vários livros que abordavam uma visão judaica de Jesus, o mais significativo dos quais lançado em finais de 2001 nos Estados Unidos sob o título “Jesus Through Jewish Eyes: Rabbis and Scholars Engage an Ancient Brother in a New Conversation”.

     Na verdade, os relatos das escrituras cristãs apontam para o facto de Jesus ter cumprido escrupulosamente todos os preceitos da religião judaica. Os Evangelhos do Novo Testamento bíblico contam que Jesus foi circuncisado oito dias após ter nascido (Lucas, 2:21), segundo regem as leis judaicas; ainda bebé foi apresentado no Templo em Jerusalém (Lucas, 2:22), de acordo com o que mandava a tradição, e foi educado na Lei de Moisés (Lucas 2, 39 a 42). A Bíblia cristã confirma ainda que ele, como todas as crianças judias, começou a aprender a Torá – a Bíblia hebraica – aos seis anos e aos 12 anos no Templo “ouvia e interrogava” os rabinos (Lucas 2:46). Mais tarde, os evangelistas relatam que Jesus celebrava os festivais judaicos (Páscoa, Tabernáculos e Hanuká) além de guardar todos os sábados como dias santos. Ao mesmo tempo, envergou tzit-tzit e tefilin, adereços litúrgicos ainda hoje usados pelos judeus ortodoxos. Mesmo assim, perante este verdadeiro mar de referências bíblicas ao judaísmo de Jesus, este continuou a ser ignorado através das gerações.

     No livro “Rabbi Jesus: An Intimate Biography”, o teólogo e historiador anglicano Bruce Chilton traça um perfil do Messias cristão fortemente enraizado no judaísmo. Para Chilton, Jesus foi indubitavelmente um rabino, reconhecido como tal na Galileia, e “os seus ensinamentos tornavam-no em tudo semelhante a outros rabinos galileus, conhecidos como chasidim. (…) Os chasidim eram curandeiros que curavam os doentes e aliviavam a seca através da oração, e Jesus juntou-se às suas fileiras”.

     Numa visão amplamente partilhada por vários teólogos judaicos contemporâneos – entre eles Z’ev ben Shimon Halevi – , o padre Bruce Chilton vê ainda em Jesus um discípulo dos mestres da Cabalá, uma palavra hebraica que literalmente significa “tradição recebida” e que traduz o misticismo judaico. As influências cabalísticas nos ensinamentos de Jesus são notórias. A mais evidente de todas é a chamada “regra de ouro do judaísmo”, ensinada pelo rabino Hillel, que viveu em Jerusalém cerca de 200 anos antes de Jesus. Conta o Talmude que um viajante pouco familiarizado com os judeus pediu ao rabino Hillel que numa frase lhe explicasse a essência do judaísmo. O rabino olhou-o por instantes e respondeu sem hesitar: “Ama o próximo como a ti mesmo. Agora vai e pratica o que aprendeste.” A mesma máxima, repetida posteriormente por Jesus, pode ser encontrada na Bíblia hebraica, no livro de Levítico.
     A grande separação das águas, no entanto, acontece quando teólogos judeus e cristãos são forçados a debater o papel de Jesus enquanto Messias. Para os judeus, o Nazareno é um rabino que seguiu a senda de outros nomes grados da história do judaísmo, mas que nunca quis formar uma religião à parte – mas sim reformar por dentro, levando os judeus do seu tempo a repensarem a sua relação com Deus. Na verdade, a separação entre o judaísmo e os seguidores de Jesus acontece posteriormente, quando Saulo de Tarso (São Paulo) transforma em religião distinta o que até então era apenas uma seita judaica.

     Apesar da existência de movimentos messiânicos , onde judeus assumem a sua crença em Jesus enquanto messias, a questão da divindade de Cristo assume-se como a barreira inexpugnável entre as duas visões.

     Mas o judaísmo de Jesus não é apenas um tema de debate teológico. A essência transbordou também para a literatura. Em “Ulisses”, James Joyce coloca o seu personagem principal, o judeu irlandês Leopold Bloom, em confronto com um antisemita cristão nas ruas de Dublin. Nesta parábola carregada de simbolismo, o antisemita, tal como o ciclope enfrentado por Ulisses, tem apenas um olho. Às invectivas, Bloom responde perante a ira incontida do seu interlocutor: “Mendelssohn era judeu, como Karl Marx e Mercadante e Spinoza. E o Salvador era judeu e o seu pai era judeu. O teu Deus era judeu. Cristo era judeu, como eu.”

     Um dos primeiros teólogos judaicos a abraçar o judaísmo de Jesus foi o rabino americano Stephen S. Wise, que num artigo intitulado “The Life and Teaching of Jesus the Jew”, datado de Junho de 1913, escreveu: “Nem protestos cristãos nem lamentações judaicas podem anular o facto de que Jesus era judeu, um hebreu dos hebreus.”

Origem: BLOG - Rua Da Judiaria
http://ruadajudiaria.com/?p=62

Amarás ao Próximo como a ti mesmo!

Amarás ao Próximo como a Ti mesmo
Kwmk Kerl tbhaw


A Torá é o Bem mais importante do mundo judaico, é a razão de viver de todo e qualquer judeu, Ela é composta de 613 Mitzivot, todas as Mitzivot são válidas e muito importantes para elevação do crente judeu e todo o crente em Deus em direção ao seu Criador e por conseqüência é o cumprimento de seus mandamentos que proporciona para os seus habitantes um mundo melhor. Esta manhã (23/06/2011) me senti profundamente comovido e motivado a escrever esta postágem, após assistir um vídeo no You Tube de uma Drashá do Rebe de Lubavitch:

http://www.youtube.com/watch?v=EppYGCmM5to

     Cujo o tema bem comum nas Drashot do Rebe era: “o amor ao próximo”, e esse (ao contrário do que muitos pensam) é um conceito da Torá.    
     É na Torá que está Escrito o segundo mais importante mandamento; 

 Kme ynb ta rjt alw Mqt al
hwhy yna Kmk Kerl tbhaw

     Lo Tiqom VeLo Titor Et Benei Amekha, VeAhavta Lereakha Kamokha, Ani Adonai.

     Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.”
 (Levítico 19:18)

      Kwmk Kerl tbhaw -  “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” é numa primeira leitura (Peshat), uma recomendação para fazermos o bem ao próximo como gostaríamos que ele fizesse a nós, cujo o objetivo primeiro nos parece ser o de fazer uma boa obra pra alguém desinteressadamente e esperar que a recompensa por isso venha de Deus (neste mundo ou no outro), porém, numa leitura mais profunda do mesmo texto (Sod), veremos que a Verdadeira Preocupação do Eterno quando nos ordenou tal mandamento, não era na verdade o outro, mas sim a nós mesmos, pois, o outro quando injustiçado sempre tem ao Eterno para suplicar por Justiça e o Eterno nosso Deus, Bendito Seja o Seu Nome, sempre a faz.


     Quando o Eterno, Bendito Seja o Seu Nome, nos ordenou; “Amarás o próximo como a ti mesmo”, Ele na Verdade estava nos livrando da solidão, da improdutividade, do isolamento; são todas essas características da morte. Ou seja; ele estava nos livrando de morrermos mesmo enquanto ainda continuássemos vivos!


     Um exemplo claro disso podemos observar em nosso dia-a-dia; pessoas idosas que não conseguem mais a atenção dos filhos, parentes ou conhecidos, pessoas com problemas mentais que adquiriram junto com sua limitação também a solidão, o isolamento e a improdutividade. Poderemos ver isso claramente nos deficientes físicos em geral (pelo menos na maioria), assim como também podemos ver isso acontecer com o sincero, com o puro, com o espirituoso.


      Kwmk Kerl tbhaw  - “Amarás o próximo como a ti mesmo” não é um resguardar do outro, mas sim um resguardar de mim mesmo, pois, na medida que eu faço o bem ao próximo ainda que esse próximo não me pareça tão próximo assim, certamente num amanhã me verei numa situação (como já me vi várias vezes) onde agora o estranho sou eu e esse conceito de próximo que eu sempre observei como “o próximo necessitado é sempre o outro” agora sou eu e se ninguém entender esse conceito, como me erguerei da situação difícil em que me encontro? Mas como o outro que ainda não me vê como o “próximo” poderá se livrar da solidão que o ilude e lhe oferece sempre amizades que sem perceber este outro comprou com dinheiro ao invés de comprá-los com a fidelidade do coração – e portanto também está só?

     Renato Russo (o vocalista da banda; Legião Urbana), em uma música que eu não me lembro o nome, disse certa vez: “o mal do século é a Solidão, cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição...” ele estava certo.
     Em nossa geração (principalmente em nossa geração) os valores estão corrompidos, trocados, torcidos. O que nos resta é na maioria das vezes mentir e acreditar nas mentiras que nos contam. “Amarás o próximo como a ti mesmo” é sem dúvida a única saída imediata, depois virão todos os outros mandamentos, mesmo o “amarás a Deus de todo o seu coração...”, porque a Deus todos (judeus e gentios) declaram que amam, porém ao próximo...


     Kwmk Kerl tbhaw  - “Amarás ao próximo como a ti mesmo” é o reiniciar consciêncial da humanidade que começa a partir do indivíduo, é o Fundamento do mundo vindouro. Assim evitaremos cometer o mesmo pecado cometido pelos nossos pais descrito no livro O Mais Completo Guia sobre Judaísmo do rabino Benjamim Blech, quando ele disse: “A queda do Primeiro Templo se deu pelo fato de que os judeus amavam naquela época o próximo como a si mesmos, porém, se esqueceram de Deus, na geração da queda do Segundo eles amavam a Deus sobre qualquer coisa, porém, se esqueceram do próximo e o Segundo Templo caiu...”


     Através dos nossos santos profetas o Eterno nos promete erguer de novo a Beit Qadish – o Terceiro Templo, mas não o fará enquanto nós os seus amados não amarmos ao próximo como a nós mesmos, não no sentido de beneficiar ao próximo, mas antes, a nós mesmos, como diz um antigo provérbio hebreu; “o maior bem de uma pessoa é outra pessoa”, assim como o poder de um grande exército não se encontra exclusivamente no seu poder bélico mais antes no seu contingente, assim também, o sucesso de quem quer que seja não se encontra exclusivamente no seu talento, mas antes, no número de pessoas que o apreciam. Da mesma forma se dá com o nosso sucesso pessoal, não o quanto eu aglomero ao meu redor, mas a quantas pessoas eu aglomero (lógico pelo sentimento correto) ao meu redor.


     Foi justamente por isso que o Grande Rabi Yeshua Minetzeret rejeitou a oferta do opositor, quando este lhe ofereceu as riquezas de todo o mundo, ao invés disso, ele preferiu derramar Seu precioso Sangue em favor de muitos, foi por isso que quando ensinava sobre o Verdadeiro Amor Ele disse:

hrty hbha vyal Nya
wydydy deb wvpn ta wttm
     Ein L’Ish Ahavá Yeterá Mitito Et-Nafsho BeAd Yedidav.
    “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelo seu amigo.”
(João 15:13) 

     E essa Sua sentença está baseada na Torá, naquele momento Ele evocou o conceito “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” e mais, quando foi indagado sobre o maior mandamento, Ele disse:
hl hmwd tynvhw...
Kwmk Kerl tbhaw
...VeHashenit Domá Lá; VeAhavta Lereakha Kamokha.
“... e o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
(Mateus 22:39)

Proibições no Shabat

Os 39 trabalhos proibidos no Shabat
tbv lv twrwoa evtw Myvwlvh

     Já li muita coisa referente à guarda do Sábado, e todas elas tratam das proibições com relação ao que não se deve fazer no dia de Sábado, porém, pouco se escreve sobre o que se deve fazer no dia Sábado. Porque?

     Bom, o motivo principal é que é muito mais fácil mencionar o que não se pode fazer no Sábado (Shabat em Hebraico) do que o que se pode fazer nesse Dia Santo uma vez que as atividades permitidas são tantas.
     Da mesma forma, quando o Eterno, Bendito seja o Seu Nome resolveu enumerar os animais puros e impuros, tornou-se mais prático classificar mais detalhadamente os animais que não se pode comer ao passo que aqueles que podemos comer são uma infinidade de espécies e suas variantes (Vayqrá - Levítico 11).   

     Essa postagem apesar de ter o mesmo caráter das postagens que eu li, traz um diferencial; a opinião rabínica sobre o assunto, e a menção à aquilo que podemos fazer no Shabat (ainda que subentendida), veremos quão brilhante foram suas conclusões baseadas em intensa investigação do Texto Sagrado cuja conclusão de suas pesquisas resultaram em um corpo de leis claro e prático visando a reverencia e o culto à Deus de forma Santa e única num dia que foi tido para nós os judeus como um Presente Divino.


   


     O Shabat é um presente Divino, um dia destinado a renovação de nossas forças e energias e diretriz da semana que irá começar. Para alcançar essa inspiração, e descanso espiritual, a Torá instituiu uma série de trabalhos (Melakhá, pl., Melakhot), os quais somos proibidos de fazer no Shabat.

     A tarefa proibida de realizar no Shabat não é necessariamente um trabalho pesado. Pode ser o simples ato de apertar o botão do interruptor para acender uma luz, que não requer muito esforço. Na maioria dos casos, é um trabalho por meio do qual cria-se algo que não existia antes, como uma nova faísca de eletricidade.

     Assim como D’us terminou a Criação em seis dias e "descansou" no sétimo, nós, que nos espelhamos n'Ele, nos privamos de "criar" no dia de Shabat, demonstrando claramente que acreditamos que só Ele é o Criador.

     Não existe na Torá uma descrição explícita dos trabalhos proibidos no Shabat. Porém, nossos sábios chamam a atenção para o fato de que o mandamento de cuidar para não fazer trabalho no Shabat antecede imediatamente a ordem da construção do Santuário no deserto. Como cada detalhe na Torá foi projetado para nos transmitir uma lição de vida, nossos sábios concluíram que o Shabat antecede os trabalhos necessários para a construção e funcionamento do Mishkán. Portanto, a intenção da Torá é nos ensinar que no Shabat não devemos realizar estas tarefas específicas, exceto em caso de risco de vida, pois salvar uma vida precede qualquer proibição de Shabat.

     O Santuário foi construído de madeira, revestido de ouro, coberto por fora com peles de animais e internamente por cortinas costuradas com fios de pelo de cabrito. Assim, todos os trabalhos ligados ao plantio, tecelagem, costura, curtimento, construção, escrita, cozimento e transporte de objetos de um local a outro, dispensado na construção do Santuário, são proibidos no Shabat.

     Os trabalhos no Mishkán eram destinados às seguintes tarefas: onze para o feitio do pão (desde semear o trigo até assar o pão); treze para a confecção dos tecidos (desde a extração da matéria-prima à tecelagem); sete para o preparo dos couros (desde o abate do animal ao curtimento); sete relativos à montagem do Santuário; e um ao carregamento de suas partes e objetos.

     Somam-se no total 39 trabalhos, denominados "trabalhos matrizes" ("Avot Melakhot"). Nossos sábios identificaram o caráter básico de cada um - por sua finalidade ou pelo modo como é feito - e apontaram uma série de outros atos aos quais esses aspectos se aplicam; conseqüentemente, estão incluídos nos trabalhos proibidos pela Torá, sendo derivados e/ou ramificações dos trabalhos matrizes. Além disso, há vários trabalhos que nossos sábios nos restringiram de fazer, para ter no Shabat uma atmosfera menos ligada ao cotidiano e também para não transgredir qualquer proibição da Torá. 


     Os 39 trabalhos matrizes proibidos no Shabat estão enumerados a seguir, acompanhados de exemplos práticos para ilustrar como e onde se aplicam hoje em dia:

1. "Arar" - cavar a terra, tornando-a mais propícia ao plantio.

Exemplos práticos desta proibição: revolver a terra com ajuda de animal, arado ou trator; arrastar um banco pesado ou brincar com bolas de gude sobre o solo.


2.
"Semear" - ato para estimular o crescimento da planta.

Exemplos práticos desta proibição: jogar sementes frutíferas na terra; dispor flores num vaso com água; colocar adubo ou inseticida numa planta.


3.
"Colher" - desenraizar uma planta do local onde cresceu.

Exemplos práticos desta proibição: cortar grama; colher frutas. Nossos sábios proibiram subir em àrvores ou embalar-se numa balança pendurada num galho.

4. "Agrupar a colheita" - agrupar cereais, frutos ou vegetais no local onde cresceram.

Exemplos práticos desta proibição: agrupar laranjas que caíram da àrvore; fazer um buquê de flores.
Esse trabalho só se aplica a derivados da terra e no local onde nasceram. Portanto, é permitido juntar livros no jardim ou maçãs espalhadas na cozinha.


5.
"Debulhar" - separar a parte utilizável (desejada) dos produtos da terra da inutilizável (indesejada), usando força ou pressão. Antigamente, para separar a semente da casca do cereal, usava-se uma tábua especial amarrada a um animal, que arrastava-a sobre os grãos, separando-os.

Exemplos práticos desta proibição: fazer suco de uva; ordenhar vaca; espremer suco de fruta cítrica; tirar ervilha da casca (se a casca não for comestível).
É permitido espremer suco de limão diretamente sobre salada ou peixe para temperá-los, se estes não contêm nenhum líquido.


6.
"Dispersar o grão ao vento" - jogar sementes ao vento para separar a parte utilizável (desejada) da não utilizável (indesejada). Mais uma forma que usava-se antigamente para separar as cascas dos grãos era jogar o cereal ao vento; assim a palha que é mais leve voava enquanto os grãos caíam no solo.

Exemplos práticos desta proibição: cuspir em direção ao vento; assoprar em amendoins para que as cascas voem e se separem.

7. "Selecionar e separar" alimento não utilizável (indesejado) do utilizável (desejado) ou separar de acordo com diferentes tipos.

Exemplos práticos desta proibição: separar a cebola (que não se quer comer) da salada; separar uma fruta estragada das demais; usar um descascador; descascar frutas ou legumes (mesmo com faca ou a mão) com antecedência; selecionar alimento sólido de uma sopa por meio de escumadeira; classificar utensílios, brinquedos ou livros de acordo com tamanhos e tipos.
É permitido descascar frutas ou legumes com faca ou a mão (não com descascador), desde que seja pouco tempo antes ou durante a refeição.

8. "Moer" - desfazer algo sólido em pedaços muito pequenos.

Exemplos práticos desta proibição: ralar legumes, picar verduras em pedaços pequenos, amassar batata cozida com amassador; amassar banana ou abacate com garfo; serrar madeira com interesse na serragem. Nossos sábios proibiram tomar remédios ou vitaminas em Shabat, exceto em caso de doença.
É permitido amassar com garfo alimento que não cresce na terra (como ovo cozido) ou esfarelar pão ou bolo.

9. "Peneirar" - separar alimento utilizável (desejado) do não utilizável (indesejado) por meio de peneira, coador ou similar.

Exemplos práticos desta proibição: peneirar farinha; coar vinho num coador especial; peneirar areia.

10. "Fazer massa" - formar massa consistente, misturando ingredientes.

Exemplos práticos desta proibição: fazer mingau (cereal em pó + leite), gelatina (pó + água), creme de chocolate (cacau ou chocolate em pó + margarina) ou cimento (cal + água); misturar purê de batata com manteiga ou margarina; misturar maionese com ketchup, formando consistência pastosa (se for líquida, é permitido).
É permitido misturar cereal em flocos com leite. Ao fazer mingau de cereal em pó para beber, deve-se colocar primeiro o leite no prato e depois acrescentar o cereal, formando uma massa líquida (não sólida).



11. "Assar/cozinhar/fritar" - colocar alimento sobre fogo ou qualquer fonte de calor, como chama aberta, chapa elétrica, brasa, chapa de metal pré-aquecida ou até em banho-maria na panela que já esteve por cima do fogo ou da chapa. Exige-se muita prudência ao aquecer alimentos no Shabat para não chegar a transgredir esta proibição, que inclui inúmeros detalhes.

Exemplos práticos desta proibição: esquentar alimento sobre fogo; misturar alimento que ainda está na panela onde foi cozido (exceto água); tampar panela (que está sobre a chapa) se a comida não estava totalmente cozida na entrada do Shabat; abrir torneira de água quente.
Para ter comida quente no Shabat, deve-se deixar previamente os alimentos por cima de um fogo coberto por uma chapa de metal ou numa chapa elétrica (costuma-se cobrir os botões para não regulá-los distraidamente); É permitido aquecer alimento sólido(sem molho ou gordura) por cima (mas não dentro) de panela que se encontra nesta chapa. É permitido cozinhar diretamente no calor do Sol, mas não sobre algo que foi previamente aquecido pelo Sol; portanto, pode-se esquentar um ovo no calor dos raios do Sol sobre prato, panela ou frigideira fria (se o utensílio foi previamente esquentado no Sol, é proibido), mas é proibido utilizar água quente de aquecedor solar.

12. "Tosquiar" - aparar pelos que cresceram no corpo do animal ou do homem.

Exemplos práticos desta proibição: depenar ave; cortar cabelo; cortar ou roer unhas; passar pente ou escova nos cabelos (que podem arrancar os cabelos) tirar sobrancelhas.

13. "Lavar" - tornar tecido ou roupa mais limpo.

Exemplos práticos desta proibição: tirar qualquer mancha; deixar tecido de molho; colocar roupa na máquina; torcer pano molhado; pendurar roupa molhada para secar.
É permitido jogar água sobre objeto de couro sem esfregá-lo.

14. "Desembaraçar a lã não trabalhada". A lã extraída do carneiro quando tosado encontra-se embaraçada e repleta de elementos estranhos como terra e areia. Antigamente passava-se uma espécie de pente para retirar impurezas e desembaraçá-la.

Exemplos práticos desta proibição: pentear fios de lã, linho ou algodão.

15. "Tingir" - alterar ou fortificar a coloração.

Exemplos práticos desta proibição: tingir tecidos; alterar cores através de recursos químicos; pintar qualquer objeto com rolo, pincel ou spray; passar batom nos lábios ou maquiagem nos olhos ou no rosto; enxugar as mãos num tecido com sujeira que pode acabar coloridindo o tecido como alimentos entre os quais morango, vinho, etc.
É permitido alterar a coloração de alimentos para melhorar seu sabor. Pode-se usar guardanapos de papel para enxugar as mãos.

16. "Fiar" - esticar e enrolar manual ou mecanicamente lã ou outra matéria prima já penteada e tingida.

Exemplo prático desta proibição: enrolar fios do tsitsit.

17. "Esticar o fio para prepará-lo para tecer" - esticar os fios entre os dois extremos da roca (máquina de fiar).

Exemplo prático desta proibição: esticar fios (numa direção) em moldura de tear manual, como para iniciar a tecer um tapete.

18. "Passar o fio entre dois anéis". No tear, os fios são passados por vários anéis que se alternam entre si, subindo e descendo, para compor o tecido.

Exemplos práticos desta proibição:
fazer uma peneira; entrelaçar cesta de vime ou cadeira de palha.

19. "Tecer" - entrelaçar fios no sentido horizontal por entre fios esticados verticalmente. Com este trabalho confecciona-se o tecido propriamente dito.

Exemplos práticos desta proibição: fazer tricô ou tapeçaria; trançar corda ou fios.

20. "Desfazer os fios a fim de retocá-los".

Exemplos práticos desta proibição:
puxar fio solto na roupa; retirar tapete da moldura onde foi confeccionado.

21. "Atar" - dar nó que não se desfaz facilmente.

Exemplos práticos desta proibição:
fazer nó de marinheiro; apertar nó de tsitsit; fazer nó duplo; trançar dois fios para formar corda; juntar dois cordões com um nó, formando um só cordão.
É permitido fazer nó de gravata ou amarrar o sapato (mesmo se não for desfeito dentro de 24 horas), pois na verdade trata-se de laço, que não é considerado nó.

22. "Desatar" - desfazer um nó (o qual não teria sido permitido fazer no Shabat).

Exemplos práticos desta proibição:
desatar fio que junta par de meias novas; desfazer nó duplo; desatar corda, separando os fios individualmente.
Se um laço no sapato complicou-se e acabou formando um nó, é permitido desfazê-lo de forma não usual (com shinui) se tiver que tirá-lo.

23. "Costurar" - unir dois tecidos ou materiais em geral.

Exemplos práticos:
fazer bainha de roupa; colar papéis com fita adesiva ou cola; puxar e/ou enrolar fio de botão que está caindo para torná-lo mais firme.
Zíper ou velcro não são considerados costura e, portanto, é permitido abrir ou fechá-los no Shabat.

24. "Rasgar intencionando suturar" - rasgar qualquer material para uni-lo depois.

Exemplos práticos desta proibição:
descoser a fim de costurar novamente; abrir envelope colado ou lacrado.
É permitido rasgar saquinho de papel ou plástico para retirar o alimento de maneira que o saquinho não será reaproveitado (com cuidado para não rompê-lo no meio de letras impressas nem descolá-lo).

25. "Caçar" - aprisionar um animal vivo e impedir que se livre.

Exemplos práticos desta proibição: perseguir animais com cachorro de caça; tampar uma garrafa onde um mosquito entrou; espalhar ratoeira.
É permitido prender e/ou matar animais (como cobra ou serpente) quando são ameaça iminente à vida da pessoa.

26. "Abater" - Tirar a vida de um animal.

Exemplos práticos desta proibição:
fazer o ritual da shchitá; borrifar inseticida; pescar; espalhar veneno contra animais ou insetos; causar hematoma; tirar sangue de pessoa ou animal.
É permitido aplicar repelente sobre o corpo, pois não se está matando os insetos, e sim impedindo que se aproximem.

27. "Pelar o couro" - retirar pele de animal morto.

Exemplo prático desta proibição:
separar couro em camadas.
É permitido retirar a pele do frango cozido (próximo ou durante a refeição), pois é considerado parte do alimento.

28. "Curtir o couro" - preparar couro, usando sal, cal, ou outros meios.

Exemplos práticos desta proibição:
engraxar sapato de couro mesmo com graxa incolor; salgar a carne crua após o abate; colocar legumes para curtir; devolver um pepino azedo meio curtido para salmoura.
É permitido temperar uma salada, próximo à refeição, colocando outros temperos antes ou junto com o sal.

29. "Alisar o couro" - retirar pêlos e imperfeições do couro.

Exemplos práticos desta proibição:
lixar algo; alisar argila; colar vela com chama de fogo (mesmo nos dias festivos); passar creme na pele.
Em caso de doença é permitido aplicar pomada (de forma não habitual – com shinui) numa ferida, sem alisá-la (mesmo que se alise por si só).

30. "Demarcar o couro" para cortá-lo.

Exemplos práticos desta proibição:
traçar linhas para escrever sobre elas; fazer pontilhado para saber onde dobrar ou cortar o objeto.

31. "Cortar" seguindo uma certa medida.

Exemplos práticos desta proibição: cortar um desenho seguindo o pontilhado; arrancar folhas de caderno; apontar lápis; cortar papel higiênico ou saquinho plástico de um rolo; separar lenço de papel quando um está preso ao outro; serrar madeira ou metal; cortar pano; separar páginas de um livro quando estas não foram cortadas na gráfica.

32. "Escrever" ou esculpir letras, figuras ou sinais que sirvam como códigos de comunicação.

Exemplos práticos desta proibição:
escrever com dedo sobre líquido que derramou na mesa, num vidro embaçado ou na areia, carimbar, unir peças de quebra cabeças; bordar letras ou figuras.
Nossos sábios proibiram uma série de ações em que é quase automático o uso da escrita, como negociar (pois implica em fazer contrato); medir ou pesar algo; dar um presente; trabalhar no Shabat em troca de um salário diário; fazer contas de matemática; ler no jornal propaganda sobre compra e venda de móveis ou imóveis.
É permitido medir febre com termômetro.

33. "Apagar" - anular qualquer escrita ou código comunicável com a intenção de reescrever no mesmo local.

Exemplos práticos desta proibição:
apagar lousa escrita com giz; apagar com borracha; cortar embrulho onde há letras escritas; cortar letras carimbadas ou coladas em frutas.
Nossos sábios proibiram ler listas de qualquer tipo para não chegar a apagar algo da lista.
É permitido comer alimentos cujas letras são parte do próprio alimento, como biscoitos (neste caso, as letras e o alimento são considerados um único elemento). Porém, quando o alimento e as letras são compostas de materiais diferentes, como letras escritas com creme sobre um bolo de chocolate, as letras devem ser retiradas por completo antes de cortar o bolo.

34. "Construir" - ação ligada à montagem ou construção.

Exemplos práticos desta proibição:
todas as tarefas relativas à construção, como cavar, encaixar portas e janelas, furar ou bater prego na parede, etc.; montar tenda; abrir guarda-chuva; montar qualquer utensílio; fazer queijo; fazer trança de cabelos; usar spray para fixar penteado.

35. "Destruir ou demolir" com a intenção de reconstruir no local.

Exemplos práticos desta proibição:
retirar telhas do telhado; arrancar prego da parede; arrombar porta; desfazer tenda; desfazer caixa de madeira; desmanchar trança de cabelos.

36. "Acender fogo" - aumentar, prolongar ou propagá-lo.

Exemplos práticos desta proibição:
riscar fósforo; acender chama de gás; ligar luz elétrica (por isso é proibido abrir porta de geladeira que automaticamente acende a luz interna; a lâmpada da geladeira deve ser desativada ou afrouxada antes do Shabat); acrescentar azeite numa lamparina; ligar motor do carro; acelerá-lo; obter faíscas através do atrito entre duas pedras; refletir a luz do Sol em lente de aumento para queimar papel.

37. "Apagar fogo" ou diminui-lo.

Exemplos práticos desta proibição:
apagar fogo através de vento (abrindo janela), areia ou sopro; abaixar fogo ou chama de gás; desligar luz elétrica; retirar azeite de uma lamparina; desligar motor do carro.
Nossos sábios proibiram ler à luz de azeite, pois estando concentrada na leitura a pessoa pode esquecer que é Shabat e mexer no pavio ou no azeite para enxergar melhor.

38. "Terminar a manufatura de qualquer objeto" (denominado "bater com martelo", pois o ferreiro termina sua obra com uma última martelada) - dar o "toque final" para que um objeto possa ser utilizado.

Exemplos práticos desta proibição:
afiar faca; desentortar garfo; colocar cordão num sapato novo; retirar fios deixados por costura; cortar uma lasca de madeira para usar como palito de dentes; encaixar pé que se soltou da cadeira; apertar parafuso para recolocar lente de óculos.
Nossos sábios proibiram mergulhar qualquer utensílio no micve; nadar; remar; tocar instrumentos musicais.

39. "Transportar de propriedade particular para pública e vice-versa" - transportar, jogar, entregar, empurrar ou fazer qualquer tipo de transferência de uma área de propriedade pública para uma de propriedade privada ou vice-versa, a não ser vestir roupas e outros adornos como kipá, óculos de grau, jóias, etc. Também é proibido carregar qualquer objeto num perímetro equivalente à distância de 1,92 m, em área de propriedade pública.

Exemplos práticos desta proibição:
sair para a rua com lenço ou chave no bolso; mastigando bala ou chiclete; com botão solto na roupa; com óculos de leitura ou de sol; entregar ou jogar um objeto pela janela ou porta de residência particular para alguém que se encontra na rua ou vice-versa.
Se a pessoa encontra-se numa propriedade pública e se dá conta que está com algum objeto no bolso, não deve parar; se o objeto não for de valor, deve deixá-lo cair enquanto continua andando (sem dar uma parada); se for de valor, deve continuar andando até voltar à propriedade particular de onde saiu com o objeto no bolso, sem parar no caminho.
É permitido levantar um grampo de cabelo que caiu na rua e recolocá-lo no cabelo se não ultrapassar 1,92 m ao fazê-lo.
Além destes 39 trabalhos matrizes há outras tarefas proibidas por ordem rabínica para que o Shabat seja completamente diferente de um dia comum da semana. A seguir veremos alguns exemplos:

a. A proibição de transformar um sólido em líquido; assim, não se pode desmanchar gelo na mão para beber o líquido que se forma, embora seja permitido colocar gelo num copo com água para gelar a água; não se pode usar um sabonete sólido, pois se transforma em líquido. É permitido usar sabonete líquido.

b. A proibição de manusear objetos proibidos, como máquina fotográfica, instrumento musical, caneta, vela, fósforo, tesoura, etc. Também é proibido manusear animais em geral.

c. A proibição de fazer algo que, embora não seja proibido por si só, pode parecer proibido aos olhos do observador; por exemplo, ligar um aparelho num timer antes do Shabat (quando usualmente não é usado assim), como para forno de microondas, aparelho de televisão, rádio, etc. (é permitido usar um timer para luz elétrica, aquecedor ou ar condicionado.)

d. A proibição de realizar no Shabat tarefas que destoam da santidade do dia; por exemplo um moÌnho cujo dono é judeu não pode funcionar no Shabat; não é permitido assistir TV, ao passar por um aparelho que esteja ligado mesmo que este não nos pertença.

e. A proibição de falar no Shabat sobre assuntos mundanos; por exemplo, programar no Shabat um trabalho que será feito durante a semana (se esta é tarefa proibida de se realizar no Shabat).
Neste artigo colocamos apenas um pequeno resumo das leis que regem os trabalhos proibidos no Shabat. Para conhecê-los mais detalhadamente é necessário um estudo mais profundo. Um rabino deve sempre ser consultado.


Sentir e cumprir o Shabat é algo ímpar e incomparável, sobre o qual está escrito que o Shabat é chamado "um gostinho do Olám, Abá, Mundo Vindouro".

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Amarás ao Próximo como a ti mesmo!

Amarás ao Próximo como a Ti mesmo
Kwmk Kerl tbhaw


A Torá é o Bem mais importante do mundo judaico, é a razão de viver de todo e qualquer judeu, Ela é composta de 613 Mitzivot, todas as Mitzivot são válidas e muito importantes para elevação do crente judeu e todo o crente em Deus em direção ao seu Criador e por conseqüência é o cumprimento de seus mandamentos que proporciona para os seus habitantes um mundo melhor. Esta manhã (23/06/2011) me senti profundamente comovido e motivado a escrever esta postágem, após assistir um vídeo no You Tube de uma Drashá do Rebe de Lubavitch:

http://www.youtube.com/watch?v=EppYGCmM5to

     Cujo o tema bem comum nas Drashot do Rebe era: “o amor ao próximo”, e esse (ao contrário do que muitos pensam) é um conceito da Torá.    
     É na Torá que está Escrito o segundo mais importante mandamento; 

 Kme ynb ta rjt alw Mqt al
hwhy yna Kmk Kerl tbhaw

     Lo Tiqom VeLo Titor Et Benei Amekha, VeAhavta Lereakha Kamokha, Ani Adonai.

     Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.”
 (Levítico 19:18)

      Kwmk Kerl tbhaw -  “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” é numa primeira leitura (Peshat), uma recomendação para fazermos o bem ao próximo como gostaríamos que ele fizesse a nós, cujo o objetivo primeiro nos parece ser o de fazer uma boa obra pra alguém desinteressadamente e esperar que a recompensa por isso venha de Deus (neste mundo ou no outro), porém, numa leitura mais profunda do mesmo texto (Sod), veremos que a Verdadeira Preocupação do Eterno quando nos ordenou tal mandamento, não era na verdade o outro, mas sim a nós mesmos, pois, o outro quando injustiçado sempre tem ao Eterno para suplicar por Justiça e o Eterno nosso Deus, Bendito Seja o Seu Nome, sempre a faz.


     Quando o Eterno, Bendito Seja o Seu Nome, nos ordenou; “Amarás o próximo como a ti mesmo”, Ele na Verdade estava nos livrando da solidão, da improdutividade, do isolamento; são todas essas características da morte. Ou seja; ele estava nos livrando de morrermos mesmo enquanto ainda continuássemos vivos!


     Um exemplo claro disso podemos observar em nosso dia-a-dia; pessoas idosas que não conseguem mais a atenção dos filhos, parentes ou conhecidos, pessoas com problemas mentais que adquiriram junto com sua limitação também a solidão, o isolamento e a improdutividade. Poderemos ver isso claramente nos deficientes físicos em geral (pelo menos na maioria), assim como também podemos ver isso acontecer com o sincero, com o puro, com o espirituoso.


      Kwmk Kerl tbhaw  - “Amarás o próximo como a ti mesmo” não é um resguardar do outro, mas sim um resguardar de mim mesmo, pois, na medida que eu faço o bem ao próximo ainda que esse próximo não me pareça tão próximo assim, certamente num amanhã me verei numa situação (como já me vi várias vezes) onde agora o estranho sou eu e esse conceito de próximo que eu sempre observei como “o próximo necessitado é sempre o outro” agora sou eu e se ninguém entender esse conceito, como me erguerei da situação difícil em que me encontro? Mas como o outro que ainda não me vê como o “próximo” poderá se livrar da solidão que o ilude e lhe oferece sempre amizades que sem perceber este outro comprou com dinheiro ao invés de comprá-los com a fidelidade do coração – e portanto também está só?

     Renato Russo (o vocalista da banda; Legião Urbana), em uma música que eu não me lembro o nome, disse certa vez: “o mal do século é a Solidão, cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição...” ele estava certo.
     Em nossa geração (principalmente em nossa geração) os valores estão corrompidos, trocados, torcidos. O que nos resta é na maioria das vezes mentir e acreditar nas mentiras que nos contam. “Amarás o próximo como a ti mesmo” é sem dúvida a única saída imediata, depois virão todos os outros mandamentos, mesmo o “amarás a Deus de todo o seu coração...”, porque a Deus todos (judeus e gentios) declaram que amam, porém ao próximo...


     Kwmk Kerl tbhaw  - “Amarás ao próximo como a ti mesmo” é o reiniciar consciêncial da humanidade que começa a partir do indivíduo, é o Fundamento do mundo vindouro. Assim evitaremos cometer o mesmo pecado cometido pelos nossos pais descrito no livro O Mais Completo Guia sobre Judaísmo do rabino Benjamim Blech, quando ele disse: “A queda do Primeiro Templo se deu pelo fato de que os judeus amavam naquela época o próximo como a si mesmos, porém, se esqueceram de Deus, na geração da queda do Segundo eles amavam a Deus sobre qualquer coisa, porém, se esqueceram do próximo e o Segundo Templo caiu...”


     Através dos nossos santos profetas o Eterno nos promete erguer de novo a Beit Qadish – o Terceiro Templo, mas não o fará enquanto nós os seus amados não amarmos ao próximo como a nós mesmos, não no sentido de beneficiar ao próximo, mas antes, a nós mesmos, como diz um antigo provérbio hebreu; “o maior bem de uma pessoa é outra pessoa”, assim como o poder de um grande exército não se encontra exclusivamente no seu poder bélico mais antes no seu contingente, assim também, o sucesso de quem quer que seja não se encontra exclusivamente no seu talento, mas antes, no número de pessoas que o apreciam. Da mesma forma se dá com o nosso sucesso pessoal, não o quanto eu aglomero ao meu redor, mas a quantas pessoas eu aglomero (lógico pelo sentimento correto) ao meu redor.


     Foi justamente por isso que o Grande Rabi Yeshua Minetzeret rejeitou a oferta do opositor, quando este lhe ofereceu as riquezas de todo o mundo, ao invés disso, ele preferiu derramar Seu precioso Sangue em favor de muitos, foi por isso que quando ensinava sobre o Verdadeiro Amor Ele disse:

hrty hbha vyal Nya
wydydy deb wvpn ta wttm
     Ein L’Ish Ahavá Yeterá Mitito Et-Nafsho BeAd Yedidav.
    “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelo seu amigo.”
(João 15:13) 

     E essa Sua sentença está baseada na Torá, naquele momento Ele evocou o conceito “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” e mais, quando foi indagado sobre o maior mandamento, Ele disse:
hl hmwd tynvhw...
Kwmk Kerl tbhaw
...VeHashenit Domá Lá; VeAhavta Lereakha Kamokha.
“... e o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
(Mateus 22:39)